Refugiados preparam marmitas saudáveis com alimentos de Parelheiros

Refeições são distribuídas em comunidades de SP. Projeto conecta campo, voluntários e famílias em situação de vulnerabilidade.

Refugiados preparam marmitas saudáveis com alimentos de Parelheiros pelo Projeto Ligando os Pontos | Foto: Ciclo Vivo
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Um projeto do Ministério Público do Trabalho, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Organização Internacional do Trabalho, articula a produção de marmitas por refugiados e imigrantes para distribuição a famílias em situação de vulnerabilidade nas regiões norte e sul da cidade. O Projeto Ligue os Pontos, iniciativa da Prefeitura de São Paulo, apoia a ação e identifica os produtores rurais da zona sul na conexão dessa cadeia de produção. A iniciativa inova no auxílio a comunidades carentes durante a pandemia.

O programa Faces & Sustentabilidade surgiu para ajudar a minimizar os impactos da pandemia de coronavírus às pessoas mais vulneráveis, e está dividido em três grandes frentes. A primeira etapa teve papel importante do Projeto Ligue os Pontos com apoio da Bloomberg Philanthropies. O projeto ajudou a identificar produtores rurais do extremo sul da cidade com dificuldades de comercialização – orgânicos ou em fase de transição agroecológica – para que pudessem vender seus alimentos à iniciativa.

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A participação do Projeto Ligue os Pontos não para por aqui. O Projeto apoia a logística da ação, uma vez que os alimentos são levados a cozinhas da Faces & Sustentabilidade, situadas na Faculdade Hotec, região central da cidade. Nesse local cerca de 30 integrantes de grupos historicamente excluídos, entre mulheres marginalizadas, transsexuais e imigrantes refugiados, trabalham, após serem capacitados, na preparação e montagem de refeições. A geração de renda a minorias se faz presente também nas próprias vestimentas dos cozinheiros, visto que os uniformes, toucas e máscaras são confeccionados por refugiados – muitos deles que já se encontravam em situação de trabalho escravo.

O cardápio, que muda todos os dias, foi montado pela Chef de cozinha Paola Carosella e agrega sabores e temperos de diversas nacionalidades. Mais do que isso, “ligando os pontos”, Paola também teve papel preponderante para que o projeto saísse do papel e o acompanha regularmente:

“O projeto é perfeito! Eu acho que as pessoas não têm noção de como a agricultura de qualidade e o preparo da comida podem impactar tanta gente. Qualquer ponta se vê impactada com essa ação, que traz comida de qualidade, produtos orgânicos, cultura, renda, dignidade e direitos”, destaca Paola.

O destino da produção de marmitas por refugiados

As produção de “marmitas” por refugiados têm como destino às comunidades de Paraisópolis, Brasilândia e Vietnã. Desde 16 de junho, cerca de 1.000 refeições são distribuídas diariamente, com auxílio de refugiados, a famílias em situação de vulnerabilidade. O projeto deve durar por mais dois meses e seus recursos são provenientes da aplicação de multas trabalhistas.

“Temos como referência a Agenda 2030 da ONU. Por isso, a finalidade do projeto é atender diversas pontas, desde agricultores orgânicos de Parelheiros com dificuldades de escoamento, grupos marginalizados que precisam de trabalho e emprego e as pessoas que mais necessitam nesse momento, a partir da distribuição de alimentos saudáveis e sustentáveis”, afirma Gustavo Tenório Accioly, procurador e presidente do Comitê Estratégico de Comunicação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

“É uma ação que traz múltiplos benefícios nesse momento de pandemia. A partir dessa iniciativa do Ministério Público do Trabalho, estamos conseguindo viabilizar um suporte a mais aos nossos produtores do extremo sul da cidade e, ao mesmo tempo, ajudando a combater a situação de crise alimentar que a população vulnerável está sofrendo”, declara José Amaral Wagner Neto, secretário adjunto de Desenvolvimento Urbano e Coordenador do Projeto Ligue os Pontos.

Eduardo dos Santos Faria, presidente da cooperativa orgânica de Parelheiros Cooperapas, comenta que a iniciativa está adquirindo, de um modo geral, legumes e verduras que não estão sendo vendidos por produtores rurais associados. Ele comemora a oportunidade:

“Pra gente é perfeito participar de uma ação como essa. Acreditamos que a alimentação orgânica deveria ser acessível a todos. Tentamos fazer a comercialização mais justa possível, mas sabemos que muitas vezes os alimentos não chegam aos pratos de quem mais precisa. O projeto Faces & Sustentabilidade veio para possibilitar isso”, declara Eduardo.

“Como agricultor, estou muito feliz em saber que estou passando produto orgânico – sem agrotóxico e cultivado de forma totalmente natural – para diversas pessoas terem a oportunidade de experimentar. É muito gratificante atender as pessoas mais pobres com meus alimentos”, conclui o produtor orgânico Emerson, associado à Cooperapas e atendido pelo Projeto Ligue os Pontos.

Projeto Ligue os Pontos

O Projeto Ligue os Pontos, da Prefeitura de São Paulo, com coordenação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), e premiado pelo Mayors Challenge da Bloomberg Philanthropies, busca fortalecer a agricultura na zona sul da cidade para frear a expansão urbana desordenada e proteger áreas ambientais.

A partir do uso da tecnologia como ferramenta de integração e da coordenação de iniciativas existentes e informações da região, seu objetivo é estimular uma economia verde consistente, evitando que as áreas cultiváveis sejam tomadas pela urbanização informal e coloquem em risco a segurança hídrica e ambiental da cidade.

Com atuação em três frentes (fortalecimento da agricultura, articulação da cadeia de valor e coleta de dados e evidências), a ideia é tornar a produção de alimentos no extremo sul da cidade uma atividade mais rentável e, assim, encorajar os agricultores a permanecer em suas terras e até mesmo expandir sua produção.

Projeto Ligando os Pontos
Projeto Ligando os Pontos | Prefeitura de São Paulo

As informações são da Prefeitura de São Paulo!

FONTE: Ciclo Vivo

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