Empresa americana com planta no Brasil desenvolve junto com UFPR primeiro plástico biodegradável usando o bagaço da cana de açúcar

Foto: Banco de imagens.
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Já imaginou a possibilidade de desenvolver plástico biodegradável em escala comercial a partir do bagaço de cana-de-açúcar? Essa é a parceria firmada recentemente entre a empresa americana com sede em Curitiba, Earth Renewable Technologies (ERT) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No projeto desenvolvido e financiado pela ERT, liderado pelo Departamento de Engenharia Química da UFPR com apoio do Departamento de Química e pelo CNPq (Edital MAI/DAI), as equipes irão desenvolver trabalhos com o objetivo de viabilizar a produção de poli (ácido lático), ou PLA, de segunda geração, do bagaço de cana de açúcar.

Atualmente, o mercado de bioplásticos depende integralmente da cadeia de açúcares primários, mais conhecido como cristal ou demerara, elevando o custo final das soluções sustentáveis. O projeto tem por objetivo integrar os processos de forma que ambas as produções, de compostos biodegradáveis e alimentos, se tornassem complementares.

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“A produção teria como pilar central o açúcar liberado a partir dos resíduos de processamento da cana-de-açúcar, ao invés dos açúcares presentes no caldo da cana. Os resultados preliminares indicam potencial para substituição de até 30% da sacarose por carboidratos de segunda geração”, explica Luiz Pereira Ramos, um dos professores líderes da UFPR envolvidos no projeto. De acordo com Ramos, o método de produção confere ao material final as mesmas propriedades, não comprometendo a qualidade ou condição do produto.

O desenvolvimento em escala desse processo resultaria em um feito inédito, com potencial de mudar toda a cadeia de produção de plástico biodegradável no mundo. A ação representa um grande passo de vanguarda para o desenvolvimento tecnológico de bioplásticos, patamar de excelência compatível com a expertise desenvolvida pela ERT nos últimos anos.

As vantagens ambientais do produto são inúmeras, pois geram pegadas de carbono mais baixas, o que reduziria a emissão de gases do efeito estufa e outros componentes responsáveis pelo agravamento climático e pelo acúmulo generalizado de lixo no planeta. A estimativa é de que a produção alcance um patamar de 70 mil toneladas de bioplásticos concebidos, retirando cerca de 140 mil toneladas de lixo ou resíduos agrícolas do meio ambiente.

CEO da ERT, Kim Gurtensten Fabri se mostra empolgado com as possibilidades e potencial do projeto. “A ERT busca ser o primeiro produtor comercial no mundo a entregar um plástico biodegradável de resíduo agroindustrial, o qual possui incontáveis benefícios ao meio ambiente, redução de custo uma vez o processo otimizado, entre outras vantagens. Esse passo simboliza a economia circular em sua essência”, afirma.

A expectativa é de que a tecnologia esteja disponível para aplicação em escalas industriais dentro de três anos, estima Fabri. “Acredito, além de tudo, que este projeto carrega em si um peso e um charme ainda maiores, por se tratar de um desenvolvimento tecnológico feito 100% em solo nacional. O Brasil, hoje líder na agroindústria, passa a ter mais uma alternativa para agregar valor à sua cadeia produtiva, passando então a exportar para o mundo tecnologia em biopolímeros, além do fato de estarmos contribuindo para um mundo mais limpo e consciente”, conclui.

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