No centro do rosto e das relações, o desconforto com o próprio nariz vem sendo resolvido cirurgicamente em comum acordo entre quem se ama
A psicóloga Andressa, 31 anos, e o bombeiro militar Guilherme Silvestre, 36 anos, decidiram se dar um presente inusitado: cirurgia. Escolheram junho de 2020, coincidindo com o Dia dos Namorados, tiraram férias e se submeteram a correções de desvio de septo e rinoplastia. Ele foi operado no dia 15 de junho e ela no dia seguinte. “De tanto eu apoiá-lo para fazer, ele também me incentivou. Precisou de um bom planejamento, até porque um foi acompanhante do outro. Eu assinei a alta dele e vice-versa. Sempre tivemos esse desejo para melhorar a respiração e a estética”, recorda Andressa. A preparação incluiu a organização das refeições para os primeiros 15 dias de pós-operatório, a fim de evitar esforço extra. “Ficamos trancados no apartamento no começo e boa parte do tempo de mãos dadas na cama, sem TV, sem nada, conversando o pouco que dava, cuidando da troca dos curativos”, descreve.
Como foram operados em Santos (SP) e residiam na capital paulista, eles também passaram as primeiras duas semanas em uma quitinete. Todo esse esforço em conjunto não só fortaleceu a cumplicidade do casal e a autoestima, como aumentou a família. “Já vínhamos tentando antes, mas a mudança de foco para cirurgia acho que ajudou. Foi muito legal engravidar na sequência, após essa experiência intensa de um cuidar do outro e saber, na prática, que pode contar com essa parceria”, afirma Andressa.
O nariz está longe de ser símbolo do Dia dos Namorados, mas a contar pelo crescente número de rinoplastias realizadas no mundo (mais de 850 mil, em 2020, e 821 mil, em 2019), ocupa papel importante nas relações afetivas. Os dados são da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), que nessa mesma pesquisa global identificou a correção no nariz como a quarta cirurgia plástica mais realizada no mundo. No Brasil, a ISAPS mostra que a rinoplastia é o segundo procedimento de face mais realizado, com 87 mil cirurgias. Tanto que é cada vez mais comum encontrar casais que tiveram suas histórias marcadas por essa tomada de decisão que afeta o outro antes, durante e após a cirurgia. A otorrinolaringologista, Caroline Cannarella, há quase duas décadas encontrou na rinoplastia e em outros procedimentos na face uma forma de ajudar as pessoas e confirma essa mudança no comportamento. “A naturalidade dos resultados que as técnicas modernas nos dão encorajam os familiares e os casais a apoiarem a decisão de quem procura uma cirurgia plástica de nariz”, explica.
A médica reconhece que no passado os resultados causavam estranhamento. “Agora com rinoplastia ultrassônica e outras técnicas com pós-operatórios sem muitos edemas e hematomas, frequentemente, após a primeira pessoa do casal operar, o seu par logo demonstra interesse. Também ocorre de um familiar se motivar, assim como não é raro atender casais que resolvem marcar juntos a cirurgia”, relata.
Apoio e transformação que terminaram no altar
Crédito: Tiago Santana fotografia
A supervisora de suprimentos Nathália Prado de Almeida, 32 anos, namorava há menos de um ano a analista financeira Thayna Alice Félix Pires, 24 anos, quando decidiu dar um basta no incômodo que sentia com o tamanho do seu nariz. “Sempre senti que meu nariz era desproporcional. Minha mãe, meu pai e minha avó tinham, era uma herança de família. Aí comecei a pesquisar médicos e procedimentos que deixassem meu rosto mais harmonioso”, resume.
Apesar de Thayna não ver problema no nariz da amada, ela apoiou integralmente a decisão de Nathália, que em fevereiro de 2021, fez rinoplastia, bichectomia e lipoaspiração de papada. “Durante a recuperação nós nos aproximamos muito e a Thayna ficou comigo o tempo todo. À medida que eu fui me achando mais bonita, minha autoestima foi melhorando e me sentindo mais segura até para ser apresentada para os amigos dela e não ter outras inseguranças como ser oito anos mais velha do que ela”, revela. “Foi uma intervenção muito transformadora. Consegui aceitar as formas do meu rosto e me gostar. Minha autoestima foi de zero a cem”, acrescenta.
De acordo com a médica Caroline Cannarella, muitas vezes o paciente tem sua autoconfiança abalada durante boa parte da vida, a ponto da pessoa não se sentir capaz de atrair alguém. “Quando quebramos este círculo vicioso, melhorando a autoestima, a pessoa consegue mostrar o que há por dentro, e sente-se preparada para se entregar a um relacionamento”, constata. E foi exatamente o que aconteceu com Nathália. “Eu me vi como uma mulher empoderada, corajosa, feliz de dentro para fora. Foi como se todo meu medo de ser quem eu sou sumisse. Consegui perder peso e tudo fluiu tão bem, que nos casamos seis meses depois da cirurgia e nos mudamos para a Austrália”, celebra.
Caroline Cannarella
Crédito: Fernanda Luz/divulgação
A médica Caroline Cannarella é graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, com residência médica no Hospital CEMA em São Paulo e título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Crânio Facial e Associação Médica Brasileira. É membro titular da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica de Face. Em quase duas décadas de exercício profissional, ela conquistou reconhecimento em procedimentos de alta complexidade como as rinoplastias secundárias, a ponto de integrar o quadro docente da preceptoria da Residência Médica da Clínica Osvaldo Saldanha, em Santos (SP). A entidade é uma referência mundial em cirurgia plástica e no ensino de rinoplastia. Em Santos (SP), ela mantém uma rotina entre cirurgias, consultas e no atendimento humanizado a cada paciente, acompanhando com equipe terapêutica todo o período de pré e pós-operatórios.
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